O plano é plantar, inicialmente, cerca de 10 mil mudas de tamareira, a Phoenix dactylifera, palmeira cultivada sobretudo no norte da África e no sudoeste da Ásia, e em rápida expansão na Bahia devido ao clima quente e seco do semiárido baiano.
Entre municípios como Juazeiro, Uauá, Casa Nova e Riachão das Neves, as tamareiras devem ser produzidas com um ciclo médio de três anos até a primeira colheita.
As mudas devem ser importadas dos Emirados Árabes, e cada palmeira pode produzir até 70 kg de tâmaras anualmente após atingir a maturidade.
O acordo para a iniciativa foi assinado entre a Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri) e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), em parceria com a Fundação Zayed, que reúne organizações filantrópicas de sustentabilidade dos EAU, além da Al Foah Company, estatal de Abu Dhabi especializada na produção de tâmaras.
O objetivo é estruturar uma cadeia produtiva capaz de abastecer o mercado nacional e reduzir a dependência de importações. No futuro, as tâmaras também podem se tornar um produto de exportação nacional.

Phoenix dactylifera.
Créditos: Wikimedia commons
Segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a tamareira se desenvolve melhor em regiões com temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, alta incidência solar e disponibilidade de irrigação controlada, características do oeste e do norte da Bahia.
Apesar de exigir alta disponibilidade de água durante o desenvolvimento dos frutos, as palmeiras suportam longos períodos de seca graças ao seu sistema radicular profundo.
Neste mês de julho chegaram à Bahia as primeiras 100 mudas importadas dos Emirados Árabes, com 12 variedades diferentes da espécie, que foram enviadas para quarentena no Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), da Embrapa, em Brasília.
A quarentena pode durar meses, e o objetivo é garantir a segurança dos plantios, que devem ser protegidos de pragas e doenças exóticas e seguir protocolos rigorosos de manejo.
De acordo com dados do Ministério da Agricultura, as importações brasileiras de tâmaras aumentaram mais de 450% na última década: passaram de 776 toneladas para mais de 4,3 mil toneladas anuais.
Além da elevada longevidade da cultura, as tâmaras têm alto valor agregado, mas a demanda brasileira costuma ser atendida por países árabes, como os próprios Emirados, a Tunísia, Israel, a Arábia Saudita e o Egito.
Um dos pilares da cooperação entre os governos da Bahia e dos Emirados Árabes é a transferência de tecnologia, incluindo treinamento de agricultores, assistência técnica contínua e compartilhamento da experiência acumulada por um dos maiores produtores mundiais da fruta, já que a Al Foah Company é considerada uma das maiores produtoras globais do setor.
Caso os testes agronômicos confirmem o bom desempenho das variedades introduzidas, o estado poderá inaugurar a primeira cadeia produtiva de tâmaras em escala comercial do Brasil.
Fonte: Revista Forum







