BRS Áurea apresenta produtividade de até 30 toneladas por hectare

Nos locais avaliados no Sul do Brasil, a BRS Áurea apresentou potencial produtivo estimado entre 25 e 30 toneladas por hectare, além de colheita precoce, concentrada principalmente em janeiro.

A cultivar é recomendada para regiões produtoras de pera que apresentem entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C durante o inverno. Os testes foram realizados nos municípios gaúchos de Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul.

A BRS Áurea também se destaca pela resistência à entomosporiose, uma das principais doenças da cultura, e pela menor suscetibilidade à mosca-das-frutas em comparação com a cultivar Rocha, variedade portuguesa bastante comercializada no Brasil.

Nova cultivar de pera produz frutos grandes e de coloração dourada

Entre as características de interesse para o consumidor estão os frutos médios a grandes e uniformes, com massa entre 145 e 190 gramas.

Na maturação, a casca apresenta coloração amarelo-alaranjada a dourada, característica que deu origem ao nome Áurea. A polpa é branca, crocante, suculenta e de sabor equilibrado.

O pesquisador João Caetano Fioravanço, da Embrapa Uva e Vinho e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultivar, destaca que a BRS Áurea foi desenvolvida com o objetivo de obter uma pera adaptada às condições brasileiras.

Segundo Fioravanço, a cultivar reúne boa adaptação ao Sul do Brasil, potencial produtivo e qualidade dos frutos, características que podem contribuir para estimular a produção nacional de peras.

BRS Áurea amplia possibilidades para a produção brasileira de pera

A precocidade de maturação é outro diferencial da nova cultivar. Nas condições avaliadas, a colheita ocorre predominantemente entre 5 e 20 de janeiro, com ciclo aproximado de 106 dias entre a plena floração e a maturação.

A época de colheita permite antecipar a oferta da fruta e pode ampliar a janela de comercialização de peras produzidas no Brasil.

Em sistema de alta densidade, com plantas enxertadas sobre o marmeleiro Adams e espaçamento de quatro metros entre filas e um metro entre plantas, a produtividade estimada varia de 25 a 30 toneladas por hectare.

A combinação entre época de colheita, produtividade e qualidade dos frutos amplia as possibilidades de utilização da BRS Áurea em sistemas comerciais. A disponibilidade de cultivares adaptadas às condições brasileiras é especialmente relevante para uma cadeia produtiva que ainda depende de importações para atender parte da demanda nacional.

BRS Áurea apresenta bom potencial de conservação pós-colheita

Além do desempenho no pomar, a BRS Áurea apresentou resultados promissores nas avaliações de pós-colheita.

Em condições experimentais, os frutos mantiveram boa qualidade para consumo após 90 dias de armazenamento refrigerado a 0,5 °C, seguidos de sete dias a 20 °C. Durante esse período, houve redução da firmeza da polpa e mudança na coloração, que se tornou mais alaranjada, sem comprometer as características consideradas adequadas para consumo.

Segundo a pesquisadora Lucimara Antoniolli, da área de pós-colheita da Embrapa Uva e Vinho, a capacidade de conservação pode favorecer o mercado de frutas frescas, ampliando o período de comercialização e facilitando a distribuição.

Ensaios experimentais também indicaram potencial para períodos mais longos de armazenamento. Em atmosfera controlada, frutos mantidos por até 165 dias a 0,5 °C apresentaram maior firmeza após a retirada da câmara.

Por outro lado, os frutos são delicados e podem sofrer danos por impacto durante a colheita e o transporte. Por isso, são recomendados cuidados no manuseio, na classificação, na embalagem e na distribuição.

Cultivar apresenta menor suscetibilidade à mosca-das-frutas

BRS Áurea também apresentou características favoráveis em relação a importantes problemas fitossanitários da cultura.

Nas condições avaliadas, a cultivar demonstrou resistência à entomosporiose e à sarna-da-pereira, doença fúngica que afeta folhas e frutos. Também apresentou menor suscetibilidade à mosca-das-frutas em comparação com a pera Rocha.

Em áreas experimentais submetidas à infestação natural, foram registrados 70% de frutos infestados na pera Rocha e 10% na BRS Áurea. Em outro experimento, no qual os frutos foram expostos diretamente aos insetos, a infestação foi de 40% na BRS Áurea, contra 100% na Rocha.

O pesquisador Marcos Botton, da Embrapa Uva e Vinho, ressalta que a menor infestação é uma característica de interesse para a fruticultura do Sul do Brasil. A característica, porém, não elimina a necessidade de monitoramento e manejo da praga.

BRS Áurea é resultado de quase 20 anos de pesquisa

O desenvolvimento da BRS Áurea começou em 2006, com o cruzamento entre as peras asiática Hosui e europeia Abate Fetel, realizado em Vacaria (RS).

A partir de 2015, o material selecionado passou por novas etapas de avaliação. No ano seguinte, foi implantado em áreas experimentais da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves e Vacaria, para análises de fenologia, produção, qualidade dos frutos e conservação pós-colheita.

Em 2021, foram estabelecidas duas unidades de validação em parceria com produtores, em Vacaria e Caxias do Sul. As plantas foram conduzidas sobre o marmeleiro Adams, com espaçamento de quatro metros entre filas e um metro entre plantas.

A BRS Áurea foi registrada no Registro Nacional de Cultivares em 26 de maio de 2025, sob o número 59.655, e posteriormente teve sua proteção solicitada junto ao Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC).

Nova cultivar será apresentada na Expointer

BRS Áurea será apresentada durante a 49ª Expointer, realizada de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque Assis Brasil, em Esteio (RS).

A apresentação deve aproximar a nova cultivar de produtores e demais integrantes da cadeia produtiva, destacando características como produtividade, qualidade dos frutos, adaptação climática e potencial de conservação.

As mudas da BRS Áurea podem ser reservadas no Viveiro São Francisco, licenciado pela Embrapa. Outros viveiristas interessados em obter licenciamento para comercializar a cultivar podem solicitar material propagativo à Embrapa Uva e Vinho.

A reserva pode ser realizada ao longo do ano, enquanto a entrega ocorre na segunda quinzena de julho do ano subsequente, conforme a disponibilidade de material.

A nova cultivar representa uma alternativa genética para diversificar os pomares e ampliar as possibilidades da produção brasileira de pera, especialmente nas regiões do Sul do País.

Fonte: Campo e Negócios