O Brasil recebeu novas liberações para a exportação de produtos do agronegócio. De acordo com nota do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as autoridades sanitárias de Cuba autorizaram embarques de maçã, uva, pera e laranja in natura. O México, por sua vez, autorizou a exportação de proteínas de bovinos não hidrolizadas (classificadas pelo governo brasileiro como colágeno) produzidas no Brasil.

Rafael de Oliveira, do escritório de Vacaria da Castelo Representações Comerciais, acompanhou a visita das autoridades sanitárias cubanas a duas empresas produtoras e beneficiadoras de maçãs no município, há cerca de três meses. Segundo ele, o objetivo da comitiva era garantir uma oferta regular de frutas ao país da América Central, que vive sob embargo econômico dos Estados Unidos desde a década de 1960, mas mantém comércio com o Brasil.

A liberação das exportações, segundo Oliveira já era esperada. “Na época, eles falaram que em Cuba só tem maçã dois meses do ano. Para nós, é interessante porque é um mercado a mais que abre”, comentou. O Rio Grande do Sul responde por aproximadamente 47% da produção nacional de maçã.

O setor, porém, ainda não tem estimativa dos potenciais volumes que poderiam ser exportados, nem quando seriam enviados os primeiros contêineres. “Nós cumpriríamos os requisitos fitossanitários, agora falta fazer negócio”, acrescentou Oliveira.

Cadeia bovina

Com relação à abertura do México, a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Antônia Scalzilli, avalia que representa um avanço no sentido da diversificação de mercados e agregação de valor em toda a cadeia produtiva, estratégias defendidas pela entidade. Antônia observa que o Brasil já exporta carne bovina para o país da América do Norte desde 2023.

No ano passado, os embarques somaram 118 mil toneladas, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

“Então, é uma evolução, e isso tem a ver com reputação, o status que conquistamos internacionalmente. Mercados mais exigentes querem conhecer a origem do produto, os controles sanitários. Por isso, é tão importante falar sobre rastreabilidade (bovina)”, destaca.

Para Antônia, o exemplo do México aponta que há oportunidades na cadeia bovina além da exportação de carnes de alta qualidade. “Temos aquelas nossas características de genética, de raças, britânicas, de produção no bioma adequado, sistemas a pasto, tradição. (A abertura para o colágeno) é mais uma demonstração da nossa capacidade de ampliar os mercados e de agregar valor a todos os subprodutos”, diz.

Fonte: Correio do Povo